Lentes Esclerais – 10 Dicas Fundamentais

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Para aqueles que usam, estão iniciando ou irão iniciar a adaptação de lentes esclerais é importante estar atento para algumas questões:

Colocação das lentes

  1. Utilizar somente solução salina sem conservantes indicado pelo seu oftalmologista, e se for soro fisiológico lembrar de armazenar na geladeira e antes de completar 7 dias depois de aberto jogar fora e abrir um novo. É extremamente recomendado colocar uma etiqueta com a data na qual foi aberto.
  1. A limpeza adequada das mãos (higiene) antes de manipular suas lentes é muito importante para evitar a contaminação do soro ou mesmo da superfície da lente ao manipular a mesma.
  1. A limpeza da lente deve ser feita de maneira “mecânica” inicialmente com o dedo indicador ou mínimo de uma mão contra a palma da outra mão, fazendo o movimento circular de fricção. Neste momento um produto indicado para uma boa limpeza é um xampu neutro levemente diluído em água ou soro. Após, enxaguar bem a lente e proceder com a limpeza e assepsia com o produto multiuso indicado para lentes (RGPs).
  1. Ao colocar a lente, preencha a lente com o soro até próximo da borda da lente, como um prato de sopa. Olhe para baixo e no momento de encaixar a lente não desvie o olho para os lados ou para cima. Se desviar o olho a lente não irá encaixar corretamente e poderá criar a(s) chamada(s) bolha(s) de inserção. A bolha deve ser observada no espelho, retire a lente e repita a operação. A bolha ou bolhas de inserção comprometem a visão ao longo do dia e podem inclusive causar desconforto e olho vermelho.

 

bolha lente escleral

 

Sinais a serem observados durante o uso

olho irritado

 

  1. Após as primeiras horas de uso, observe no espelho (ou peça para alguém olhar) para ver se não há sinais de vermelhidão lateral especialmente, na porção branca dos olhos (nasal e temporal). Este é um alerta de que o desenho da lente não está adequado ao uso e a adaptação precisa ser revista, ou melhor, a lente precisa de modificação ou mesmo troca.
  2. Se for possível, observar se a borda da lente não está “afundando” a conjuntiva (membrana transparente que recobre a esclera) ou por áreas onde a parte periférica da lente possa estar interrompendo as terminações de vasos límbicos (aqueles microvasos vermelhos que todos temos), fica uma área esbranquiçada que faz pressão contra a conjuntiva. Estes achados podem causar olhos vermelhos após retirar as lentes e não é saudável. Pacientes com pinguécula ou pterígio são susceptíveis de ter este “obstáculo” pressionado pela lente escleral, portanto estes casos geralmente requerem a adaptação de uma lente especial que sobreponha ou contorne está elevação de tecido na conjuntiva.
  3. Ao fechar os olhos, sentir com os dedos a borda da lente por cima das pálpebras inferior e superior. Não deve ser dolorido ou desconfortável, se a lente tiver uma borda bem desenhada e bem alinhada o paciente não deve sentir desconforto em tocar por cima da mesma.
  4. Ao longo do uso observe se a visão não está deteriorando ou perdendo a clareza, como uma visão mais embaçada ou com menos contraste. Isso pode ser devido ao esgotamento da capacidade de oxigenação e hidratação do soro que não está sendo renovado com a lágrima do paciente ou colírio lubrificante sem conservantes (se for o caso). Embora as lentes esclerais devam ter nenhum ou mínimo movimento possível, é importante assegurar que as lentes proporcionem a renovação, mesmo que lenta, do soro, permitindo que a lágrima do paciente (ou colírio lubrificante sem conservantes) passe por baixo da mesma e recomponha a reserva líquida de soro preenchida ao colocar as lentes. Isso deve ajudar a evitar o esgotamento da capacidade do soro de lubrificar e oxigenar a córnea.
  5. Dor, olhos vermelhos, sensação de pálpebras quentes, visão túrgida, “arco-íris” e/ou embaçada não são normais e devem ser relatadas ao especialista. Ele deverá saber o que precisa ser feito para resolver o problema, ou contatar o fabricante para orientações.

 

Após a remoção das lentes

  1. Observar após retirar a lente se não ficou uma marca da lente na porção branca (esclera) dos olhos. Essa é uma das mais comuns ocorrências que tem sido relatadas pelos usuários de lentes esclerais que nos procuram no IOA. Este fenômeno ocorre devido ao desenho da lente estar comprimindo a zona da borda da lente contra a esclera e como a conjuntiva é uma membrana macia a marca fica as vezes por algumas horas antes de sumir e pode também acompanhar de olhos vermelhos após a retirada das lentes. Neste caso as lentes devem ser modificadas ou substituídas por lentes que repousem suavemente sobre a esclera sem causar pressão em ponto específico como na região da borda.

 

Tanto a marca circular de onde a lente se apoia ou olhos vermelhos após a remoção das lentes esclerais são achados que embora possam ser leves e perdurarem de 1 a 3 horas devem ser considerados como sinal de alerta de que a adaptação precisa ser revista pelo especialista.

Faça seus exames de acompanhamento da adaptação e de rotina regularmente, nunca deixe para ir no seu oftalmologista apenas quando tiver problemas evidentes. Os exames de controle da adaptação são tão importantes como o exame inicial e a colocação das lentes, na verdade são até mais importantes pois será neste momento que o seu médico poderá lhe garantir que tudo está bem ou que há algo a ser modificado para aprimorar a adaptação e garantir assim a sua saúde ocular.

Espero que estas dicas sejam úteis para os que estão iniciando a adaptação de lentes esclerais. É importante compreender quando e porque utilizá-las, assim como saber observar corretamente as pequenas complicações que podem ocorrer.

Fonte: Luciano Bastos

Em colaboração com o Blog C&T.

 


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