Instituto de Oftalmologia de Assis | 27 de junho de 2017

Ceratocone: doença atinge uma em cada vinte mil pessoas no Brasil e é a principal causa de transplante de córneas

Ciência & Saúde

O ceratocone é uma doença caracterizada por um afinamento e um aumento na curvatura da córnea, que sofre alterações, perdendo o formato arredondado e adquirindo um formato de cone. Essa alteração que costuma ocorrer na adolescência progride até por volta dos 30 anos e leva, além da progressão da Miopia e do Astigmatismo, a uma acentuada baixa da acuidade visual.

Um das características da doença é a troca constante das lentes dos óculos por conta da progressão acelerada do grau. Além disso, outros sintomas característicos do ceratocone são o desconforto visual, dor de cabeça, fotofobia e coceira nos olhos.

O Dr. Renato Neves, presidente da Sociedade Brasileira de Ceratocone é um dos mais respeitados especialistas brasileiros. O médico que tem pós-doutorado em Imunologia, Córnea e Catarata na Harvard Medical School – Massachusetts Eye and Ear Infirmary e no MIT – Massachusetts Institute of Technology, alerta para a necessidade de um diagnóstico precoce do ceratocone. “O ceratocone tem quatro graus evolutivos e dependendo da severidade da doença o paciente pode perder a visão ou entrar na fila de transplante de córnea. Com os tratamentos atuais é possível diagnosticar o problema com uma topografia corneana (exame) e interromper o progresso da doença de forma precoce ajudando no tratamento”, afirma.

Os avanços no tratamento do Ceratocone serão destaque no III Congresso Brasileiro de Ceratocone que vai ocorrer nos dias 20 e 21 de outubro, no Centro de Convenções A Hebraica, em São Paulo. O evento irá contar com alguns dos maiores especialistas no tratamento da doença que ainda é uma das principais causas de transplante de córneas no Brasil. A boa notícia é que a doença tem tratamento e o transplante pode ser evitado.

Com o desenvolvimento das tecnologias, o transplante de córnea tornou-se o último recurso para tratar o ceratocone. Hoje é possível optar pelo implante de um anel nas córneas, por exemplo. “Por meio do implante de anel intra corneano, também chamado Anel de Ferrara, é possível estabilizar a curvatura da região porque ele provoca um fortalecimento da córnea, restaurando o seu formato arredondado. A técnica consiste na implantação de dois segmentos de arco de acrílico especial na córnea, melhorando o conforto e a visão do paciente”, explica o Dr. Renato.

Outra técnica para tratar a doença é o Crosslink. “O Crosslink é feito um tratamento cirúrgico Aplicamos um colírio a base de vitamina B6 (Riboflavina), ativada através de um feixe especial de luz ultravioleta para a maior união das fibras de colágeno, estabilizando assim a evolução do ceratocone”, conclui o Dr. Renato Neves.

Todos esses tratamentos são realizados aqui no IOA, sob o comando do Dr. Victor A. C. Antunes

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